sábado, 13 de junho de 2009

SONETO


"soneto"

não te quero senão porque te quero

e de querer-te a não querer-te chego

e de esperar-te quando não te espero

passa meu coração do frio ao fogo.


te quero só porque a ti te quero,

te odéio sem fim, e odiando-te te rogo,

e a medida de meu amor viageiro

é não vor-te e amar-te como cego.


talvez consimirá a luz de janeiro,

seu raio, meu coração inteiro,

roubando-me a chave do sossego.


Nesta história só eu morro

e morrerei de amor porque te quero,

porque te quero, amor, a sangue e fogo.


( Pablo Neruda )

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